
Imagino que muitas futuras mães, assim como eu quando fiquei grávida, tenham dúvidas sobre como seu cão vai lidar com a chegada do bebê. Recebi muitos pedidos para fazer este post e era tanta coisa pra organizar e escrever que ele acabou demorando… Mas o resultado está aqui, um apanhado da nossa experiência aqui em casa com dicas para todo mundo passar por esta fase de adaptação com tranquilidade e prazer.
Nossos peludos são como filhos, nossos primogênitos amados e protegidos, e não é de se estranhar que estejam acostumados a tanta mordomia e atenção pelo tempo que nos acompanham sendo únicos em nossas vidas. Sendo assim, é compreensível que o cão se sinta “destronado” com a chegada repentina de um irmãozinho humano, mas cabe a nós como mães/donas prepará-los emocionalmente e acostumá-los devagarinho com a ideia, até que eles aceitem e amem seu bebê tanto quanto você.
É importante entender e fazer com que seu cão entenda que um não está ali para tomar o lugar do outro. Na verdade os dois possuem papéis importantes na construção da nova família e na manutenção dos laços afetivos.
E gente é uma delícia ver quando um amor cresce entre nossos amores – cão e bebê. A Carlota ainda não se solta 100% com o Antonio, e até acredito ela saiba que o jeito de brincar dela é brusco e não é 100% seguro para o bebê (as vezes ela se empolga e pedimos para ela “devagar Lota”… sempre com carinho e paciência). Mas mesmo que ela não saiba exatamente como interagir ela está sempre deitadinha perto dele como vocês vão ver nas fotos. E assim ela participa de tudo! Já o Antonio, adora ver ela pra lá e pra cá. Da risada, segue com os olhinhos, fica todo feliz e agitado para tocá-la. Adora fazer carinho e pegar nas orelhas ou em qualquer outra parte do corpo dela… e de qualquer outro cão que aproximamos dele.
Por isso também temos que ter cuidado, o bebê não sabe limites (vale ainda mais para crianças maiorzinhas que podem querer puxar o rabo de algum cão sem entender que podem se machucar). Temos que ensinar amar e também ensinar respeitar. E aí com paciência e devoção tudo dá certo!

Os cães têm uma sensibilidade incrível para alterações tanto físicas quanto emocionais dos humanos em sua vida, então ainda que não consigam entender a sua gravidez como um todo, com certeza sentirão as mudanças na relação de vocês. Ser amorosa e próxima do cão enquanto estamos grávidas é fácil pois ficamos muito sensíveis e carinhosas, mas a parte difícil mesmo vem depois do nascimento, quando ficamos mais ocupadas e acabamos, ainda que sem a intenção, nos distanciando ou passando menos tempo com nossos peludos. E nas vezes que podemos estar os 3 (bebê, mamãe e cachorro) ou mais juntos, ficamos matutando na cabeça será que vai dar certo? Será que o bebê está seguro? E são nesses momentos é que você corre o risco de eles associarem essas mudanças de forma negativa ao novo integrante da família. Porque além de sentirem a nossa apreensão, qualquer comportamento muito diferente nosso pode ser um alerta para o dog que ele não é muito bem vindo alí.
Em casa tentamos fazer tudo com muito carinho e cuidado para com que a Lota se sentisse bem com a chegada do Antonio. Uma das primeiras coisas que fizemos quando o Antonio nasceu foi que meu marido levou um paninho com o cheiro do Antonio pra Carlota quando foi para casa pegar umas coisas para voltar para o hospital. E quando voltamos pra casa com o Antonio sentamos e os apresentamos, tentando manter a calma e ansiedade e deixamos ela cheirar a cabecinha e pezinho dele. Fiz muito carinho nela. Mas ela também teve que ouvir alguns “calma”, “devagar”… E alguns “não”. Tentamos usar menos “não” possível e focamos em tampar a boca dele para ela não lamber, sempre com jeitinho… É MUITO importante o seu cão associar o bebê com coisas boas e não ruins. Então carinho no cão com o bebê no colo é ótimo! Talvez a dica mais valiosa que eu possa dar!
Também vale ressaltar que se o cão já tem como hábito algum comportamento antissocial, é possível (e provável dependendo do que fizermos ou não para melhorar isso) que ele se intensifique depois da gravidez.
A Carlota mesmo, por exemplo, é sempre grudada comigo e até possessiva em relação a mim. Algumas vezes rosnava quando alguém me vinha me cumprimentar, ou “fingia” que ia morder (dando umas mordidas no ar). Ficamos bem atentos para ela não fazer isso com o Antonio. Não demos nenhum espaço para este tipo comportamento e até fizemos aulas de adestramento e socialização para minimizar este comportamento dela antes da chegada do bebê. Com carinho e paciência ela entendeu o quanto o Antonio é importante para nós, e também que ele é pequeno e frágil e passou a protegê-lo também. Fica aflita das pessoas se aproximarem dele e tem os mesmos comportamentos de proteção que tinha comigo com o Antonio. Nós sempre estamos corrigindo e colocando limites nessa “proteção” para que ela nunca passe dos limites e vire um problema.
Nós temos total consciência que este não foi um comportamento que ela adquiriu por causa da gravidez, mas sim algo que ela já fazia e aprimorou. E com carinho, paciência e atenção e o máximo reforço positivo possível vamos ensinando como ela deve se comportar. Mandar o cãozinho sair, ignorar ou maltratar o cão se ele não agir exatamente como esperado no primeiro minuto só vai piorar a situação. Ele precisa associar o baby com coisas positivas e logo todo mundo se acostuma.
No meu caso a adaptação não foi tão difícil (o que não significa que não foi cansativa, pois já estamos beeeem cansadas com tudo e ainda tem mais isso para se preocupar) e deu tudo certo mas conto isso para demostrar que o comportamento do cão antes da chegada do bebê afeta diretamente como ele vai ser com o bebê. Então se um cão tem algum ponto a trabalhar, é preciso perceber isso e até procurar ajuda de profissionais antes mesmo que o bebê nasça (e porque não antes mesmo de engravidar?!). Coisas que você talvez ignorasse antes porque não punham ninguém em risco e pareciam banais agora se tornam mais importantes.

Olha aí a Lota pertinho de tudo, sempre! Até na Shantala…
E a saúde do bebê?!
A saúde do bebê é a principal preocupação desde dentro da barriga da mãe e a tendência é que isso só aumente depois do nascimento. Por isso é normal que tenhamos opiniões divididas sobre os limites da convivência do animal de estimação, principalmente na questão da higiene. Os cães sempre ficarão mais expostos às sujeiras do ambiente em que vivem do que seus donos por estarem sempre em contato direto com o chão, mas ao contrário do que muitos pensam, ao invés de prejudicar, o contato do bebê com esses tipos de bactéria pode chegar até a fortalecer a formação de seu sistema imunológico e respiratório.
Mas peraí vamos com calma: Conviver, sim! Sair lambendo nos primeiros 6 meses de vida, não! A Lota cheirou muito o pezinho, as costas e até a cabecinha do Antonio (e ainda cheira) e até arriscou diversas lambidas mas sempre evitamos lambidas nas mãos e no rosto. A boca do cão é contaminada de bactérias e o recém nascido, ainda sem o sistema imunológico formado, não deve entrar em contato com elas. Isso muda quando o bebê começa a explorar o mundo pondo tudo na boca e da os primeiros indícios que irá engatinhar. Agora o sistema dele já está mais “pronto” e podemos relaxar mais. Ufa! Já passamos esta primeira fase e tudo correu bem.
Vários estudos já foram feitos para tranquilizar as mamães e ficou provado que os bebês que convivem desde os primeiros meses com um cão em casa têm 44% menos chances de ter infecções de ouvido e 29% menos chances de precisarem tomar antibióticos. Claro que é importante nunca abrir mão da rotina dos banhos, corte das unhas e limpeza bucal e garantir que as vacinas estejam sempre em dia, além de evitar lambidas ou algum tipo de contato mais próximo em áreas sensíveis. Mas de modo geral eles podem brincar e passar bons momentos juntos. Momentos deliciosos!


Antonio encantado com a Lucy, viralata/tigre muito boazinha da minha cunhada.
A parte mais difícil e que requer mais dedicação nesse processo todo acaba sendo a preparação do animal meses antes da chegada do novo irmãozinho. Para isso separei algumas dicas bacanas, lembrando que é importante ir colocando-as em prática devagar, com um passo de cada vez para que ele se acostume e adapte as novas mudanças à sua rotina.
Cuidados antes do nascimento:
1. Se você decidir que o quarto do bebê vai ser um limite para o cão, essa demarcação de espaço deve ser passada a ele o quanto antes, assim ele terá tempo para aprender e evitará associar essa proibição à figura do bebê. Outra opção, caso você escolha deixar que ele frequente o quarto, é deixar que ele circule por lá na sua presença, mas sempre sinalizando onde é permitido ficar, por exemplo na caminha ao lado do berço, e onde não é (na cama da babá, no nosso caso, e claro no berço que ela nem alcança rsrs).
2. Depois do nascimento você terá novas ocupações em casa e nem sempre poderá dar a atenção que seu cão está acostumado, então tente ignorá-lo algumas vezes por dia quando vier pedir carinho para que ele aos poucos consiga lidar com a frustração sem ficar tão agitado por não conseguir o que deseja naquele momento. (Difícil essa hein?! Quem conseguir fazer me avisa porque eu não consegui muito não.
3. É interessante preparar a audição do cão para o choro ou mesmo a voz do bebê para que ele se acostume e evite latidos inconvenientes no futuro. Para isso vale usar uma gravação da internet ou de outro lugar. A agitação no começo é normal por parte do cão e tende a melhorar depois de algumas repetições em dias alternados.
4. Que tal acostumar o ção com o carrinho também? Ele é grande e ela vai ver muito! Se você pretende passear com o cão e o bebê já pode treinar com o carrinho vazio para ver como ele vai se comportar e acostumar vocês dois a este novo jeito de passear. Assim não põe em risco a saúde e bem estar do baby já que o cão pode puxar, latir, e até se enrolar no carrinho nas primeiras vezes.

Cuidados após o nascimento
1. Apresente o bebê ao cão se aproximando bem devagar e deixando que ele o observe e cheire à vontade, mas sempre no colo. Faça carinho nele (e tente evitar aquelas lambidas sem ser muito brusca).
2. Depois de se familiarizar com o cheiro do bebê, é preciso fazer com que o cão se acostume a ele e o associe a coisas que lhe dão prazer. Para isso é legal colocar uma manta que foi usada no bebê ou uma peça de roupa na caminha do cachorro, próximo do pote de ração ou no meio de seus brinquedos.
3. Faça questão de alimentar ou dar atenção e carinho ao cão sempre que o bebê estiver por perto. Assim, com o passar do tempo, vai associar a presença do bebê a esses pequenos momentos bons e vê-lo como igual.
Lembrando que se seu cão for agressivo não adianta seguir estas dicas “depois do nascimento” a risca. O cão agressivo vai precisar estar sempre com guia e com uma distancia segura do bebê! As dicas de “antes do nascimento” são bem vindas, sempre!
É claro que nos primeiros meses o bebê ainda é muito “frágil” e depende muito de colo, mas depois de alguns meses o cão já vai estar acostumado com a sua presença e vai considerá-lo um membro da família, por isso não devemos ter medo de deixá-los interagirem um com o outro. Cada toque, movimento, sensação, cada expressão trocada é uma nova experiência e todas elas juntas serão importantíssimas para o desenvolvimento dos valores futuros da criança como a noção de responsabilidade que é cuidar de uma outra vida, o aprendizado sobre como se relacionar com outras pessoas, além de desenvolver a parte afetiva com práticas de carinho, respeito e solidariedade.
Não posso deixar de declarar meu apoio a campanha lançada pela minha amiga Luisa Mell que é recém mamãe do Enzo “não abandone seu peludo quando o bebê chegar”, acho linda a iniciativa e espero que todas as futuras mamães de humanos e caninos por aí possam aproveitar as dicas e ver seus “filhos” se tornarem melhores amigos. Eu, inclusive, vou participar da campanha com a Lota e o Antonio! Mostro por aqui quando as fotos ficarem prontas!
Gostaram das dicas? Alguém tem mais alguma que eu esqueci de dar? Alguma dúvida? Podem mandar!
BeijoBeijo
